Derretimento facial: por que só preencher não resolve

Algumas das primeiras queixas do envelhecimento facial são o aparecimento do bigode chinês, da linha de marionete e do chamado “bulldog” na parte inferior do rosto.

Diante dessas mudanças, é comum que muitas pessoas associem diretamente o problema a essas regiões e acreditem que o preenchimento local seja a melhor forma de tratamento. No entanto, esse raciocínio parte de uma simplificação do processo de envelhecimento facial.

O que chamamos de derretimento facial não se inicia onde ele se torna mais visível. Essas marcas que aparecem no terço inferior são, na maioria das vezes, consequência de alterações estruturais que acontecem em regiões superiores da face.

Vista lateral aproximada de rosto feminino maduro com sinais de derretimento facial, incluindo presença de bigode chinês, linha de marionete e início de “bulldoguinho”, com redução da definição da mandíbula.
Aspecto inicial do derretimento facial: perda de sustentação no terço médio refletindo no acúmulo de volume no terço inferior, com presença de bigode chinês, linha de marionete e início de “bulldoguinho”.

Como o derretimento facial acontece

Com o passar do tempo, o rosto passa por mudanças progressivas que vão muito além da pele. A partir dos 25 anos, há uma redução na produção de colágeno, o que impacta diretamente a firmeza dos tecidos. Ao mesmo tempo, a estrutura interna da face também começa a se reorganizar.

Os coxins de gordura, que são compartimentos naturais responsáveis por volume, sustentação e contorno, diminuem e sofrem deslocamento no sentido da gravidade, ou seja, para baixo. Além disso, ocorre reabsorção óssea e enfraquecimento dos ligamentos que sustentam essas estruturas.

Todas essas alterações acontecem em camadas profundas da face e quando esse suporte se modifica, o efeito visível é o que chamamos de derretimento facial.

Não se trata do surgimento de novas estruturas na parte inferior do rosto. O que ocorre é uma redistribuição dos volumes, com adaptação e remodelação da face ao longo do tempo.

Ilustração comparativa do envelhecimento facial mostrando a redistribuição dos compartimentos de gordura. À esquerda, face jovem com volume equilibrado e sustentação no terço médio. À direita, perda de volume e queda dos tecidos, com sulcos nasogenianos, linhas de marionete e perda de definição da mandíbula.
Comparação entre a face jovem e a face envelhecida evidenciando as alterações nos compartimentos de gordura facial.

Por que tratar apenas o que incomoda não resolve

Quando o incômodo está concentrado no bigode chinês, na linha de marionete ou no “bulldoguinho”, é natural que o foco do tratamento vá diretamente para essas regiões. Esse é o raciocínio mais comum na percepção do paciente.

E é aí que está o problema. Quando o tratamento se limita ao preenchimento dessas áreas, ele não corrige a causa, que é a perda de sustentação da face. Em vez disso, adiciona volume em uma região que já está sobrecarregada.

O resultado, muitas vezes, é um rosto mais pesado, com perda de definição, aspecto inchado, reforçando ainda mais o aspecto de derretimento facial. Nesses casos, não se trata de uma falha do produto, mas de uma lógica de tratamento que não respeita a dinâmica do envelhecimento facial.

Como tratamos o derretimento facial na Ástre

Na Ástre, desenvolvemos o protocolo Ástre Lift Up para tratar o derretimento facial de forma estratégica. O foco não é apenas preencher, mas devolver sustentação à face.

Encaramos o rejuvenescimento como um processo de reestruturação, sustentação e regeneração tecidual. Por isso, tratamos as diferentes camadas da face, buscando um resultado global, e não pontual.

Reposicionamos estruturas, recuperamos volume e priorizamos o terço médio e superior, que são fundamentais para a sustentação. Associamos bioestimuladores de colágeno a preenchedores de maior densidade para reconstruir essa base. O terço inferior, quando necessário, é tratado como complemento.

Os resultados vêm ao longo do processo e da manutenção. O que levou anos para mudar não se resolve em uma única sessão.

Cada caso é individualizado, respeitando a estrutura e o padrão de envelhecimento de cada paciente. É justamente isso que garante um resultado mais natural e equilibrado.

Comparação clínica em close da região inferior da face, do sulco infraorbital ao pescoço, mostrando antes e depois de tratamento estético. À esquerda, presença de sulco nasolabial mais profundo, início de linhas de marionete, leve formação de jowls e menor definição do contorno mandibular. À direita, suavização dos sulcos, melhora do suporte do terço médio e maior definição da linha da mandíbula, com pele de textura natural e uniforme.
Imagem comparativa evidenciando mudanças estruturais no terço médio e inferior da face. No antes, observa-se maior profundidade do sulco nasolabial, início de perda de definição mandibular e leve descenso dos tecidos. No depois, há melhora do suporte facial, com suavização dos sulcos e melhor contorno da mandíbula, mantendo proporções naturais e textura de pele preservada.