Os riscos de não extrair os sisos nem sempre são evidentes. Muitas vezes, esses dentes não causam dor. E é justamente por isso que muita gente adia a decisão de extraí-los. O problema é que, em diversos casos, as complicações começam de forma silenciosa e só são percebidas quando já existe um prejuízo maior, como cáries no dente vizinho, inflamações recorrentes ou até a necessidade de tratamentos mais complexos. Mais do que decidir “tirar ou não tirar”, é importante entender o que pode acontecer quando o siso permanece sem acompanhamento.
Nem todo siso precisa ser extraído, mas todos precisam ser avaliados
Muitas pessoas acreditam que, por não sentirem dor ou por não verem o siso na boca, não há motivo para se preocupar. O problema é que essa percepção nem sempre corresponde à realidade. Em muitos casos, os sisos estão presentes, mas em posições que não são visíveis e que podem favorecer o desenvolvimento de alterações silenciosas. Sem uma avaliação clínica e radiográfica, essas situações passam despercebidas e podem evoluir ao longo do tempo, comprometendo dentes saudáveis ao redor.
Por outro lado, existem situações em que o siso está bem posicionado, totalmente erupcionado, com boa condição de higienização e sem impacto nos dentes vizinhos. Nesses casos, a manutenção pode ser indicada. É justamente essa análise que permite definir a conduta mais segura em cada caso.

Cárie no dente vizinho: um dos problemas mais comuns
Um dos riscos de não extrair os sisos mais frequentes, principalmente quando ele está parcialmente erupcionado ou mal posicionado, é o desenvolvimento de cárie no dente ao lado, o segundo molar. Essa região costuma ser de difícil acesso para a higiene, favorecendo o acúmulo de placa e restos alimentares entre os dentes. Como esse processo acontece de forma silenciosa, é comum que o paciente só perceba quando a lesão já está mais avançada, muitas vezes exigindo tratamentos como restaurações extensas ou até canal.

Pericoronarite: episódios que vão e voltam
Outro problema frequente relacionado aos sisos, especialmente quando estão parcialmente erupcionados, é a inflamação da gengiva ao redor do dente. Isso acontece quando o siso não nasce completamente e fica apenas uma parte dele visível na boca, enquanto o restante ainda permanece coberto pela gengiva.
Nessa condição, forma-se uma espécie de “bolsa” ao redor do dente, onde restos alimentares e bactérias se acumulam com facilidade, favorecendo dor, inchaço, dificuldade para mastigar e até mal hálito. Esse quadro, quando recorrente, é chamado de pericoronarite.
Muitos pacientes relatam episódios que melhoram e depois retornam, o que costuma indicar que a causa não foi resolvida. Enquanto o siso permanece nessa posição, a tendência é que a inflamação volte a acontecer, podendo se tornar mais frequente ou mais intensa ao longo do tempo, o que faz parte dos riscos de não extrair os sisos.

Cistos associados ao siso: uma alteração que pode se desenvolver sem sintomas
Todo dente incluso possui potencial para o desenvolvimento de lesões císticas ao seu redor, e com os sisos isso não é diferente. Embora nem todos os casos evoluam dessa forma, essa possibilidade faz parte da avaliação clínica e reforça a importância do acompanhamento.
Essas lesões se desenvolvem a partir dos tecidos que envolvem o dente incluso e, na maioria das vezes, evoluem de forma lenta e sem sintomas iniciais. Por esse motivo, costumam ser identificadas apenas em exames de imagem, muitas vezes em avaliações de rotina.
Com o passar do tempo, podem aumentar de tamanho e causar alterações na região, como reabsorção óssea e deslocamento dos dentes vizinhos. Dependendo da extensão, o tratamento pode exigir uma abordagem cirúrgica mais ampla do que uma extração simples.
Assim como outros riscos de não extrair os sisos, essa é uma alteração que dificilmente seria percebida sem acompanhamento adequado.

Quando procurar um dentista para avaliar os sisos?
Como muitos dos problemas relacionados aos sisos se desenvolvem de forma silenciosa, a avaliação não deve depender apenas da presença de dor ou desconforto. Mesmo sem esses sintomas, é importante avaliar a posição desses dentes, sua relação com os dentes vizinhos e as condições de higiene da região. Somente a partir dessa análise, é possível definir com segurança se há indicação de remoção ou se o acompanhamento periódico é suficiente, evitando os riscos de não extrair os sisos quando há indicação clínica.
Na Ástre, essa avaliação é conduzida de forma criteriosa, considerando cada caso de maneira individualizada para definir a melhor conduta.
